<< Voltar

04 - Produção de latas de alumínio cresce 11%

São Paulo - Os fabricantes de latas de bebidas apresentaram no primeiro semestre deste ano um desempenho acima do esperado. De acordo com dados da Abralatas, as vendas de latinhas cresceram 11,3% de janeiro a junho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2007, somando 6 bilhões de unidades, acima até mesmo do crescimento da produção, que foi de 11,1%, para 6,4 bilhões. O diretor executivo da entidade, Renault de Freitas Castro, afirmou que a previsão inicial da entidade era de crescimento de 8% em relação ao apurado no ano passado, quando as vendas somaram 12,2 mil unidades, alta de 13,5% ante o ano anterior. "Entramos cautelosos para 2008, com expectativa de um pequeno arrefecimento, como reflexo da economia mundial, mas até agora não verificamos isso, pelo contrário, o primeiro semestre veio muito forte, mesmo sendo normalmente é um período mais fraco para o setor", disse. Apesar dos sinais positivos, a Abralatas não refez as projeções para o ano, embora admita que até agora não há sinais de desaceleração. "O aumento da renda e a migração de famílias da classe D para a classe C tem têm elevado o consumo de bebidas e consequentemente, aumentado a demanda por latas", afirmou Rinaldo Lopes, presidente da Crown Embalagens. A empresa, que atualmente tem a capacidade de produção de 2,4 bilhões de latas por ano em sua fábrica de Cabreúva (SP) e 2,8 bilhões de tampas na unidade de Manaus, está investindo US$ 55 milhões na construção de uma nova unidade, em Sergipe, que elevará em cerca de 30% a capacidade da empresa a partir do primeiro trimestre do ano que vem, quando a fábrica começará a operar. "Todo o setor está se preparando para o aumento da demanda, que acreditamos que se manterá com crescimento de 8% pelos próximos dois anos", disse. "Escolhemos o Nordeste porque é o mercado que mais cresce e onde há menos capacidade." Lei Seca A Abralatas ainda não detalhou os dados por segmento da demanda, mas Castro avalia que a Lei Seca pode até ter favorecido as vendas de latas de alumínio. "Talvez a cerveja em lata passou a ser preferida, principalmente para o consumo doméstico, mas ainda não temos confirmação". Cerca de 60% das latas de alumínio são direcionadas ao envasamento de cervejas, mas o consumo da bebida nos bares e restaurantes é feito principalmente com garrafas, além do chope. O crescimento da produção de latas de alumínio no primeiro semestre foi o principal responsável pela alta de 16,3% na produção industrial de embalagens metálicas, explicou André Macedo, economista da coordenação de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Latas de alumínio para bebidas foi, dentro os nove produtos de embalagens metálicas, o que apresentou o melhor desempenho", afirmou. O IBGE não divulga os dados por produtos, mas segundo o economista entre os quatro principais produtos - que inclui ainda latas de ferro e aço e folhas de alumínio e rolhas, tampas e capsulas metálicas e juntos respondem por 80% do segmento - apenas a produção de latas de alumínio apresentou crescimento expressivo. Latas de aço cresce 2,6% A produção de latas de ferro e aço galgou a duras penas um crescimento no primeiro semestre. Segundo a Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço) o volume de compartimentos de aço aumentou 2,6% nos primeiros seis meses do ano, o que já é uma vitória para um ramo que vinha se retraindo. Do lado positivo, o mercado de tintas se consolida cada vez mais como seu principal cliente e consumiu 9,4% mais embalagens de aço neste semestre que no mesmo período do ano passado. Derivados de leite (creme de leite, leite condensado) aumentaram em 11% e pescados (atum e sardinha) em 20,5%. O que tem segurado o desempenho do segmento em baixa é o envase de óleo - este caiu 22% no semestre. O óleo em lata já representou mais de 60% das vendas de embalagem de aço, mas o recipiente tradicional foi rapidamente substituído pelas garrafas de plástico, e hoje flutua ao redor dos 14%. "Nossas vendas (para óleo) estão hoje principalmente no interior, nas regiões Nordeste e Centro Oeste. No Sul e Sudeste quase não se vê mais", disse a diretora executiva da Abeaço, Thais Fagury. A migração teve início no final dos anos 1990, quando alterações na legislação permitiram uma concentração maior de TBHQ no óleo - a substância confere maior durabilidade ao produto. Sem ela, a qualidade do óleo não passa dos 30 dias em garrafa de plástico, enquanto na lata metálica é garantida por pelo menos um ano. Foi a partir daí que a velha lata entrou em uma trajetória irreversível de queda. Thais, no entanto, acredita que a produção de embalagem de aço perdida no óleo pode se acomodar em outras áreas potenciais e reencontrar um caminho de ascensão - como já está acontecendo em tintas. Uma aposta é o lançamento anunciado pelo setor no início deste ano, de uma embalagem de aço que pode ser utilizada em forno microondas e convencional, direcionada para comida pronta. Nestas embalagens em aço, não seria necessária refrigeração. "Ainda não está no mercado, mas as primeiras empresas já estão sondando", disse a coordenadora. "Existem muitos mercados ainda a explorar, como o de produtos em pó ou alimentos prontos, que ainda têm muito para crescer. Temos que nos basear em novos conceitos", completou. De acordo com a Associação Brasileira de Embalagens (Abre), as embalagens metálicas responderam por 26,6% da produção de embalagens total, que de acordo com levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) cresceu 6,24% no primeiro semestre. De acordo com Salomão Quadros, economista da FGV responsável pelo estudo, desconsiderando o desempenho dos compartimentos de metal, o setor de embalagens teria crescido 2,5%.

Matriz
Rua São Paulo, 57, Centro, Belo Horizonte/MG
Telefone: (31) 3201-7477Veja o mapa
Filial
Praça Vaz de Melo, 117, Centro, Belo Horizonte/MG
Telefone: (31) 3201-7477Veja o mapa
by Harlley